quarta-feira, 22 de julho de 2009

No fim do Arco-irís

No dia em que pensei como era genuína a felicidade no sentir, fiz das memórias uma solitária prisão e lá cresceu a incapacidade de transpor a barreira do medo, para ir ao encontro dos ressentimentos de outrora, um amor quase perfeito. Ir ao teu encontro.
A verdade, um valor magno mas agravado num sumptuoso melaço que cola à mentira num curtíssimo espaço, o amor, quando é de tamanha intensidade torna-se doentio e rapidamente se gruda ao perigoso ódio. “Quantas vezes te menti para ser fiel à verdade do meu amor por ti. Ou do teu amor por mim, o que vai dar ao mesmo.” Inês Pedrosa
Não foi por deixar esgotar a minha paciência que te abandonei, não, não foi. Foi por acreditar na infinita insatisfação minha, a que todos os dias habita em mim. Não importa o que amamos, importa acreditar nesse amor e eu ainda hoje não lhe conheço as artimanhas mas sim algumas manhas, o que é bem diferente!
As palavras são fragmentos de histórias verdadeiras, outras falsas, tudo serve para ilustrar a obsessão da verdade ou mentira do que chamamos provada paixão. Tenho saudades de ti.

Tenho saudades de ti, mas não me mexo, como me ensinaste, foi de tal forma rigorosa aprendizagem que esculpi em homenagem um lema a seguir, não julgues que foi bom ensinamento, antes pelo contrário, foi sim um cerco, uma bela torre rodeada por um fosso onde moram agora só crocodilos famintos. Hoje passaram quatro anos, lembro-me dos teus receios, dos crus desafios, das tuas imaginárias ambições, dos ansiosos desejos, dos teus projectos de vida feliz, de tudo o que é teu, de tudo o que foste e quem sabe ainda o és.
Eu? Eu continuo aqui, sitiada em maneira de estar, aguardando pelo vento que levará as nuvens cheias de pensamentos teus, princesa crédula de que um dia uma simples brisa leve as sacuda do meu olhar e abra o sol que sou. O sorriso com que tu me conheces, nunca o perdi. E a ti, espero-te sisudo, fechado na introspecção do que são os outros, porque só assim és verdadeiramente tu, o Rei dos silêncios.
Que o sol e a chuva se cruzem num nocturno céu leitoso e amanheça um arco-íris de afectos.

2 comentários:

Gaugamela disse...

UFffffffffffffffff! Que intensidade!!! Estás uma escritora! Quando te sai da alma, amiga, é arrebatador! Tanto de ti nestas palavras, e muitas dao que pensar, ai se dao!

"Picos" disse...

...ai se dão...

Eu vivo com saudades,
sou feliz por ter saudade, de algo ou alguém, pq é sinal que AMO!
Não se tem saudades do MAU, mas sim das coisas boas(do BOM), não é assim?
Saudade... tenho sim,
uma saudade saudável, boa, pq sei do que tenho saudade.
Saudade, sim conheço!
Saudade, sim sinto!
Saudade, sim....tão nossa!

Saudades também de ti, meu grande amigo.