segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Escritos de fim de VerÃO

Pico 7
Agosto
Nunca fiquei tão perto! Confesso.
O telefone tocou cedo, era a amiga malmequer com a boa nova da saída dos concursos, como sempre bem no finzinho dos Agostos para que a malta passe mau bocado, angústias e ansiedades na que é a última semana de férias. Fica-se sempre alterada no impasse de ficar ou não desempregada. Esperava o pior mas minutos depois soube que ficara em Odivelas. Épa, não foi dos concelhos predilectos tais como, Lisboa, Oeiras ou Cascais, mas nada mau para quem pensava ir levar ensaios de mau viver numa qualquer escola da Amadora!
Tomei o pequeno-almoço tranquilamente ao mesmo ritmo que navegava em pesquisas sobre a nova escola. Estranho, queria-a visitar, vislumbrar fotografias do meu mais recente espaço laboral e …nada! E quando finalmente encontrei um site, para todos os passos deparava-me com códigos de acesso. Se quis contentei-me com uma singela fotografia nada nítida, arrisco mesmo em dizer, algo propositadamente desfocado!
Almocei, fiz a digestão enquanto compunha a mala de viagem, mas não aguentei! Apesar das férias e a poucas horas de ir de fim-de-semana, tinha de ser. Observei mais uma vez o percurso na net e fui a Odivelas.
Abalei direitinha à coisa, desci colina e subi colina e dez minutos depois a zona não me pareceu má, novas habitações mas jardins e espaços verdes poucos ou nenhuns, um novíssimo jardim-de-infância com um traçado bem esgalhado, um mini centro comercial de outras épocas e meia dúzia de pequenos cafezinhos. Em frente tinha uma placa que indicava o caminho para a escola, contorno uma curva ligeira à esquerda e logo em seguida uma à direita mais apertada… céus deu-me cá uns calores ao observar tal, tal susto! Pior nunca vira e pensava já não existir no nosso Portugal, toda ela uma gigante barraca, contraplacados, tábuas velhas e telhados de zinco escuro, debruadas a caixilharia podre as janelas mínimas eram enfeitadas a papel autocolante colorido, sobressaindo várias formas geométricas e arco-íris duvidosos, espaços zero entre cada fileira de pavilhões, barraca corrida seguida por mais uma e mais outra e outra, entre barracas o cimento sofredor de grandes rachas dava vida a ervas daninhas… vi um gato, coitado roçava-se no gradeamento da escola, até ele tinha mau aspecto, cheio de peladas e coxo de uma das patas traseiras, que visão, agora sim, percebia a questão da ausência de fotos na net de vários ângulos, é que nem o melhor fotógrafo conseguiria fazer um pequeno milagre. Sim a escola tem um nome bonito e pomposo, coitada da Rainha, vá lá está retratada a azul num painel de azulejos brancos, estarei eu a ser altamente injusta? Pois, quem vê caras não vê corações e juízos de valor todos fazemos, não é verdade? Mas como boa Tuga que sou, julgo logo tudo a pior.
Para ti nova escola, dedico-te esta música, esta que para mim numa certa passagem de vida ensinou-me tantas coisas.
De poeta e louco, todos temos um pouco!



3 comentários:

Tânia disse...

Tal como dizes, quem vê caras não vê corações ... pode ser que tenhas uma linda surpresa e que a cara feia da tua nova escola mostre al longo do tempo um lindo coração :))
Faço votos para que sim :)
Um beijo gigante para ti e que este seja o primeiro de muitos cometários que prometo com muitissimo gosto dexar neste blog :))

"Picos" disse...

Cá te espero Azeitona!
...?!...

Miguel disse...

Ana Carolina... definitivamente um voto a favor e ainda agora comecei a descobrir este blogue.